Sinopse
Em 1936, durante a Guerra Civil Espanhola, legalistas anticlericais estão no comando de uma pequena cidade onde o desiludido padre Arturo Carrera confronta seu Bispo. Desesperado com a falta de piedade cristã, Arturo abandona seus votos e deixa a catedral vestido com roupas civis. Naquela noite, quando um ataque aéreo dos rebeldes deixa a cidade num verdadeiro caos, Arturo se refugia em um prédio onde encontra Soledad, uma jovem mulher que trabalha num cabaré.
Enquanto isso, o Bispo dá uma relíquia sagrada, o sangue abençoado de São João, ao cônego Rota, ordenando-lhe que a leve até os rebeldes fiéis à igreja. Logo depois, uma multidão legalista invade a catedral, onde saqueiam os altares e assassinam vários sacerdotes. Naquela noite, os legalistas, depois de terem a descrição dos dois sacerdotes que escaparam, Arturo e Rota, passam a procurá-los pela cidade.
Fugindo da polícia, Arturo entra em um cabaré onde se encontra com Soledad. Sem saber que ele é um padre em fuga, ela revela que pouco se importa com os sacerdotes, mas que não acha que as pessoas devam prejudicar a igreja. Quando os soldados entram no cabaré à procura de Arturo, Soledad percebe sua verdadeira identidade e o leva para seus aposentos, onde ele confessa que falhou em sua fé. Apesar dos protestos de Arturo de que ela não deve se envolver com o perigo, Soledad insiste que teve uma premonição de que ele é uma pessoa especial que deve ser protegida. De repente, quando os soldados batem à porta, Arturo se rende para evitar qualquer implicação para Soledad.
Poucos dias depois, os fanáticos paroquianos acabam de cobrir a cidade com grafites pedindo a localização da relíquia. Depois que o cínico e comunista general Clave chega à cidade, o correspondente americano Hawthorne, que está escrevendo uma história sobre a relíquia, explica o que sabe sobre a lenda local, ou seja, “que é impossível derrotar aquele que tem a posse da relíquia sagrada”. Apesar de se mostrar indiferente à tal lenda, o general Clave ordena a seus soldados que encontrem a relíquia, como uma forma de inspirar confiança à causa legalista entre os habitantes da cidade. Muito embora Arturo se mostre incapaz de fornecer informações sobre a localização da relíquia, o capitão Botargus aceita sua oferta de trabalho para o governo, procurando ajudar os soldados católicos a conciliarem sua fé com a agenda socialista dos legalistas. Após ser libertado, Arturo procura amizade e consolação junto à Soledad.
Certo dia, depois que Arturo explica aos soldados, em praça pública, que a relíquia não pode trazer-lhes a vitória, Rota, disfarçado em trajes civis, lhe diz que ele a está escondendo na igreja e implora por ajuda, mas Arturo se recusa a levar o assunto à frente.
Mais tarde, Soledad anuncia que deixou o cabaré e professa seu amor a Arturo. Com igual afeto, o padre lhe explica que seus sentimentos são como os de um jovem estudante com seu primeiro amor, um amor inocente. À noite, reforços legalistas chegam à cidade, não com o efetivo esperado, já que muitos homens desertaram devido ao medo de que a relíquia sagrada esteja em mãos inimigas.
Enquanto isso, Soledad, tendo aprendido com o apelo de Rota a Arturo, vai à igreja, onde os soldados a capturam e a Rota. O capitão Botargus a interroga sobre seu envolvimento com Rota e Arturo, ameaçando-a com tortura, caso ela não queira cooperar. Por outro lado, condenado à execução como traidor, Rota pede a Arturo que o ouça em confissão. Durante o encontro, Rota admite que ele, como Arturo, não acreditava na relíquia, mas depois de semanas caminhando entre o povo, percebeu que é a fé das pessoas na relíquia que lhes dá a esperança em Deus. Ele diz ainda que todos os sacerdotes foram torturados e mortos por se recusarem a prestar informações sobre a localização da relíquia. Movido pelas palavras de Rota, Arturo procura e acha a relíquia, mas é imediatamente preso ao sair da igreja. Desconhecido de seus captores, ele consegue manter a posse da sagrada peça, escondendo-a em sua roupa.
Na manhã seguinte, o general Clave envia mais de 200 prisioneiros, incluindo Arturo e Soledad, sob guarda armada, para servirem de chamariz para o inimigo que avança. Durante uma pausa na marcha, Arturo diz à Soledad que ele se acha com a relíquia. Naquela noite, ao acamparem perto da aldeia de Soledad, eles percebem que terão de enfrentar forças rebeldes na manhã seguinte. Enquanto os prisioneiros oram, Soledad percebe que Arturo se acha dividido entre seu amor por ela e sua responsabilidade como padre para aliviar a dor daqueles que sofrem à sua volta.
O capitão Botargus chama Soledad e a lembra de que Arturo irá rejeitá-la para retornar à sua missão como sacerdote. Aproveita ainda a oportunidade para oferecer-lhe sua liberdade em troca de informações sobre a relíquia. Mais tarde, ao ver Arturo confessando os aldeões, Soledad concorda com os termos de Botargus. Naquela noite, ela conversa com Arturo sobre o acordo com Botargus, afirmando que pretende fornecer uma localização falsa. Arturo concorda com o plano dela, mas quando ela fornece a falsa localização, o capitão se recusa a libertá-la.
Em um ataque surpresa, os rebeldes começam a atirar indiscriminadamente, ferindo Soledad, que então tropeça no caminho para sua aldeia, segurando a relíquia. Quando os rebeldes chegam à igreja onde os prisioneiros são mantidos, Arturo explica a um oficial rebelde que eles são prisioneiros dos legalistas. Para provar sua fidelidade à Igreja, Arturo alega ter tido a posse da relíquia. O oficial, no entanto, lhe responde que, a menos que possa provar o que diz, ele será obrigado a mandar executar todos os prisioneiros, depois que um padre ouvir suas confissões. Enquanto isso, um soldado rebelde encontra Soledad desmaiada segurando a relíquia.
Na manhã seguinte, quando Arturo prepara os prisioneiros para cumprirem seu destino, ele ouve Soledad com uma voz fraca, a chamar por seu nome. Ele descobre, então, que um soldado trouxe tanto Soledad quanto a relíquia para a Igreja. Depois que ela, delirando e acreditando ter perdido a relíquia, pede o seu perdão e, em seguida, morre, o jovem oficial liberta todos os prisioneiros. Enquanto Soledad é levada para sua aldeia em um caixão, Arturo beija a relíquia e a coloca em um monumento sagrado.