Indicações
Academia de Artes Cinematográficas de Hollywood, EUA
Oscar de Melhor Fotografia
Oscar de Melhor Trilha Sonora de um Musical (Adolph Deutsch, Conrad Salinger )
Sinopse
No final do século XIX, Magnolia Hawks, filha do Capt. Andy Hawks, proprietário do “Cotton Blossom”, um Barco itinerante que apresenta shows ao longo do Mississippi, apaixona-se pelo jogador Gaylord Ravenal quando se acha em turnê em uma pequena cidade. Por outro lado, sua rigorosa mãe, Parthy, desaprova a amizade da filha com a atriz principal do show, Julie LaVerne. Apesar dos sentimentos de proteção de Julie para com Magnolia, Parthy proíbe a filha de continuar a se encontrar com ela.
Enquanto isso, um pretendente ciumento de quem Julie tem desdenhado, a título de vingança, fornece ao xerife local um registro de nascimento que prova ser Julie uma mulata. Ao ver que o xerife está prestes a subir a bordo do Barco para acusá-la de miscigenação e prendê-la, Steve, seu marido de pura raça branca, corta deliberadamente um de seus dedos e mistura o sangue dos dois para dizer que ele também tem sangre negro. O xerife decide ir embora, mas antes aconselha Julie a deixar o Barco para evitar a ira dos habitantes da cidade. Steve deixa o grupo para se juntar a Julie, sendo substituído por Gaylord no papel principal. Por outro lado, Magnolia substitui Julie, e os dois juntos fazem sucesso com o público ao longo do Mississippi.
Com o passar do tempo, as duas estrelas se apaixonam e se casam, indo passar a lua-de-mel em Chicago. Uma vez lá, Gaylord retoma seu jogo pesado e perde todo seu dinheiro. Suspeitando que Magnolia deixou de amá-lo, ele a abandona sem saber que ela se acha grávida. Magnolia fica preocupada com a situação, mas incentivada por dois de seus maiores amigos, os dançarinos Frank Schultz e Ellie May Shipley, ela se submete a um teste de palco com o diretor Jake Green. Por sua vez, Julie, que voltou a beber pesado depois que Steve a deixou, é uma cantora no show de variedades de Green, mas em silêncio abandona o show ao ouvir a apresentação de Magnolia.
Magnolia estréia na véspera do Ano Novo. Bastante nervosa, começa a cantar “After the Ball”, mas ao ver seu orgulhoso pai na platéia, ganha confiança e faz uma magnífica apresentação. Enquanto Gaylord continua com sua obsessão pelo jogo, ela dá a luz a uma menina, a quem dá o nome de Kim Ravenal. O tempo passa e, depois de quatro anos, Julie encontra-se acidentalmente com Gaylord em um Barco-Show, ocasião em que lhe fala sobre a filha que Magnolia teve com ele.
Gaylord, finalmente, encontra sua filha na cidade de Natchez, onde ela está se apresentando em um show com sua mãe e seu avô. Imensamente feliz, ele a toma em seus braços e, para alegria de Julie, Magnolia e Gaylord se reconciliam, ele consegue se livrar do jogo e voltar para a família no “Cotton Blossom”.
Comentários
Baseado num livro de 1924 da escritora Edna Ferber, numa peça musical de Jerome Kern e Oscar Hammerstein II, “O Barco das Ilusões” é, sem dúvida, um marco na história do cinema musical, pela beleza de suas letras e números de música e dança. Roteirizado por John Lee Mahin, dirigido por George Sidney e produzido por Arthur Freed para a Metro-Goldwyn-Mayer, sua trama nos mostra o glamour da era dos jogadores e dos teatros flutuantes do Mississippi, ao mesmo tempo em que levanta problemas como o racismo, jogatina e alcoolismo.
George Sidney nos brinda com uma direção correta, no que é ajudado pela bela fotografia de Charles Rosher e pela apresentação das lindas canções de Jerome Kern e Oscar Hammerstein II, dentre as quais se acham "Can't Help Lovin' Dat Man", "Cotton Blossom", "Make Believe", "Where's The Mate For Me?", "I Might Fall Back on You", "You Are Love", "Bill", "Why Do I Love You?", "Life Upon the Wicked Stage" e "Ol' Man River", esta última interpretada pelo famoso barítono negro, William Warfield.
Deixando de lado as diversas interpretações dos números de dança e música, todas muito boas, como atriz o maior destaque vai para Ava Gardner, no papel de Julie LaVerne; para a veterana Agnes Moorehead, no papel da mãe de Julie, uma menção honrosa e, finalmente, destaco a grande química mostrada por Kathryn Grayson e Howard Keel.
CAA