Filmes por gênero

VIOLETTE NOZIÈRE (1977)

Violette Nozière
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Ficha Técnica

Outros Títulos: Violette (Estados Unidos)
Prostituta de día, señorita de noche (Espanha)
Niña de día, mujer de noche (Argentina)
Pais: França, Canadá
Gênero: Crime, Drama, Suspense
Direção: Claude Chabrol
Roteiro: Odile Barski, Frédéric Grendel, Hervé Bromberger
Produção: Roger Morand
Música Original: Pierre Jansen
Fotografia: Jean Rabier
Edição: Yves Langlois
Direção de Arte: Jacques Brizzio
Figurino: Pierre Nourry
Efeitos Sonoros: Patrick Rousseau
Nota: 8.3
Filme Assistido em: 2008

Elenco

Isabelle Huppert Violette Nozière
Stéphane Audran Germaine Nozière
Jean Carmet Baptiste Nozière
Jean-François Garreaud Jean Dabin
Lisa Langlois Maddy
Jean Dalmain Émile
François Maistre Sr. Mayeul
Dora Doll Sra. Mayeul
Philippe Procot Vésine-Larue
Guy Hoffman O Juiz
Bernard Alane O filho Pinguet
Bernard La Jarrige Sr. Pinguet
Mario David Diretor da Prisão
Henri-Jacques Huet Comissário Guillaume
Fabrice Luchini Camus, o estudante
Bruno Rosenker Estudante no Café
Jean-Pierre Coffe Dr. Déon
Serge Bento Diretor do Hospital
Jean Parédès Cantor de rua
Suzanne Berthois Guardiã da Prisão
Jean-François Dupas Inspetor
Micheline Bourday Sra. Olinguet

Prêmios

Festival Internacional de Cannes, França

Prêmio de Melhor Atriz (Isabelle Huppert)

Prêmios César - Academia das Artes do Cinema, França

César de Melhor Atriz Coadjuvante (Stéphane Audran)

Indicações

Festival Internacional de Cannes, França

Prêmio Palma de Ouro (Claude Chabrol)

Prêmios César - Academia das Artes do Cinema, França

César de Melhor Música escrita para um Filme (Pierre Jansen )

César de Melhor Atriz (Isabelle Huppert)

César de Melhor Design de Produção

Sinopse

Violette Nozière é uma adolescente francesa dos anos 1930, que secretamente trabalha como garota de programa, enquanto vive com os pais, Baptiste e Germaine Nozière. Para realizar os seus programas, ela mantém um quarto alugado no Hôtel de La Sorbonne.

Numa de suas idas ao Dr. Déon, médico da família, Violette toma conhecimento que se acha com sífilis. Para ela, tudo indica que foi contaminada por Pierre, um estudante do 4º ano de medicina. No primeiro encontro dos dois, ele se nega a assumir qualquer responsabilidade, dizendo-lhe que a doença também pode ser adquirida através de contaminação feto-placentária.

Ao voltar para casa, com os pais já informados pelo Dr. Déon sobre o caso, Violette é mal recebida principalmente pela mãe, mas se defende alegando que, no caso dela, trata-se de uma doença da família. Depois, quando se acham a sós, Baptiste comenta com Germaine que talvez o avô dela tenha contraído a doença com alguma conquista árabe na Argélia.

Certa vez em um Bar, em companhia de amigos, Violette é apresentada a Jean Dabin, um vigarista que vive de explorar mulheres. Ao saírem juntos, Dabin lhe diz que pretende ser advogado, enquanto ela comenta que desfila para uma grife de alta costura. Os dois terminam numa cama do hotel onde, apaixonadíssima à primeira vista, Violette se mostra disposta a fazer tudo para agradá-lo. Dabin se mostra extremamente preocupado porque perdeu muito dinheiro na Bolsa. Ela, imediatamente, lhe dá todo o dinheiro que carrega consigo.

Ao voltar para casa, Violette espera que os pais adormeçam para tirar mais dinheiro das economias da família e roubar um anel do pai, tudo para dar no dia seguinte a Dabin. Seus encontros com esse vigarista continuam quase que diariamente. Numa das vezes que marcam um encontro em um Bar, quando ela chega, Dabin confessa-lhe que já estava preocupado por não ter dinheiro para pagar a bebida que já havia consumido. Ao ser perguntado pelos 400 francos que ela lhe dera na véspera, ele lhe mostra o relógio que comprara com a referida quantia.

As despesas com Dabin crescem, de modo que, além dos costumeiros furtos de parte das economias de seus pais, Violette passa a chantagear Émile, um conhecido homem público que mantém em segredo sua relação com Germaine, a mãe dela. Apesar de tudo, Dabin viaja sem ela por dois a três dias, para Poitiers ou Sables d’Olonne, voltando sempre que acaba o dinheiro.

Desesperada com essa situação, Violette decide envenenar os pais e deixar o gás da casa aberto para dar a entender que os mesmos se suicidaram. Em seguida, mostrando-se aflita, ela pede socorro aos vizinhos. O pai é retirado morto, mas a mãe sobrevive ao atentado, sendo internada em um Hospital em estado grave. Com a mãe proibida de receber visitas, ela aproveita a oportunidade em que o Comissário de Polícia entra nos aposentos em que a mãe se encontra, para fugir do local.

Mais tarde, ao se achar sentada no banco de um jardim público, Violette é abordada por um homem que se apresenta como sendo André de Pinguet. Depois de uma breve conversa, os dois combinam um novo encontro naquele mesmo banco às 18 horas daquele dia. Na hora marcada, Pinguet volta ao local, agora acompanhado de dois policiais que dão ordem de prisão à Violette.

Ao depor no Comissariado de Polícia, ela assume a culpa pelo envenenamento dos pais alegando, entretanto, que não pretendia atingir sua mãe. Quanto ao pai, ela afirma que sua atitude nada mais foi do que uma vingança por ter sido por ele estuprada quando ainda tinha 13 anos de idade, e obrigada a dormir várias vezes com ele.

Alguns dias depois de presa, Violette é levada do presídio onde se encontra para uma acareação com a mãe. Na ocasião, ela cai de joelhos a pedir perdão à mãe, mas esta se mantém irredutível. Ao chegar o julgamento de Violette, Dabin confirma que recebia dela 100 a 150 francos por dia. Assim, ao ser acusada de que se prostituía para bancar Dabin, ela nega a acusação, afirmando que jamais faria isso em respeito à sua mãe. Sobre o dinheiro dado a Dabin, ela confessa que o mesmo provinha de um Sr. Émile, que sempre cuidou dela e que lhe dava 1.500 francos por mês. Ao lhe ser pedido para que identifique esse Sr. Émile, ela se nega a fazê-lo. Sua mãe, sentindo quão injusta foi para com a filha, se mostra disposta a gastar todo o dinheiro que possui para salvá-la. Após deliberações, o Tribunal ordena que Violette seja encaminhada descalça e coberta em um véu negro a uma praça pública de Paris para ser decapitada.

Condenada à morte em 13 de outubro de 1934, Violette foi perdoada pelo Presidente Albert Lebrun em 24 de dezembro daquele mesmo ano, tendo sua pena comutada para prisão perpétua com trabalhos forçados. Em virtude de seu comportamento exemplar na prisão, o Marechal Pétain reduziu sua pena para 12 anos. Violette foi posta em liberdade em 29 de agosto de 1945 e logo agraciada pelo General de Gaulle em 01 de setembro com um decreto anulando sua proibição de residir na França por 25 anos.

Decidida a recomeçar sua vida, Violette finalmente se casou com o filho do clérigo da prisão, com quem teve cinco filhos. O casal abriu uma Casa Comercial e, em 1963, pouco antes de morrer, o Tribunal de Rouen deu um passo sem precedentes na justiça francesa, restabelecendo todos os direitos civis a um condenado à morte pela justiça comum.

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Comentários

Baseado em um caso verídico retratado num livro de Jean-Marie Fitère, “Violette Nozière” é mais um ótimo filme do grande cineasta francês, Claude Chabrol. Como um drama psicológico, o filme é simplesmente sem igual. Sua história visa mostrar o caso de uma jovem francesa de 18 anos que envenena seus pais para que possa roubar o dinheiro deles e, com o mesmo, poder comprar a afeição de um amante interesseiro.

Freqüentemente chamado de Hitchcock francês, Chabrol mostra em “Violette Nozière” um pouco desse clima próprio do mestre do suspense. Além do excelente trabalho por ele desenvolvido, o filme nos brinda ainda com a bela música de Pierre Jansen e com a ótima fotografia de Jean Rabier.

No elenco, os grandes nomes a destacar são os de Isabelle Huppert, em seu primeiro trabalho para Claude Chabrol, e de Stéphane Audran, no papel da mãe de Violette.

CAA