
A DAMA DE SHANGHAI (1947)
The lady from Shanghai
| Outros Títulos: | A dama de Xangai (Portugal) Die lady von Shanghai (Alemanha, Austria) La dame de Shanghai (França) La signora di Shanghai (Itália) |
| Pais: | Estados Unidos |
| Gênero: | Filme Noir, Suspense, Crime |
| Direção: | Orson Welles |
| Roteiro: | Orson Welles |
| Produção: | Orson Welles |
| Música Original: | Heinz Roemheld |
| Direção Musical: | Morris Stoloff |
| Fotografia: | Charles Lawton Jr. |
| Edição: | Viola Lawrence |
| Direção de Arte: | Stephen Goosson, Sturges Carne |
| Figurino: | Jean Louis |
| Maquiagem: | Clay Campbell, Robert J. Schiffer |
| Efeitos Sonoros: | Lodge Cunningham |
| Efeitos Especiais: | Lawrence W. Butler |
| Nota: | 8.2 |
| Filme Assistido em: | 1949 |
| Rita Hayworth | Elsa Bannister |
| Orson Welles | Michael O'Hara |
| Everett Sloane | Arthur Bannister |
| Glenn Anders | George Grisby |
| Ted de Corsia | Sidney Broome |
| Erskine Sanford | Juiz |
| Errol Flynn | Homem do lado de fora da cantina |
| Gus Schilling | 'Goldie' Goldfish |
| Carl Frank | Promotor |
| Louis Merrill | Jake |
| Evelyn Ellis | Bessie |
| Harry Shannon | Taxista |
| Steve Benton | Policial |
| William Alland | Repórter |
| Jessie Arnold | Professora no Aquarium |
| Jack Baxley | Guarda |
| Doris Chan | Garota chinesa |
| Wong Chung | Li |
| Alvin Hammer | Repórter |
| Robert Gray | Repórter |
| Maynard Holmes | Motorista de caminhão |
Casada com Arthur Bannister, conhecido como o maior criminalista do mundo, Elsa é uma belíssima mulher, salva de um grupo de assaltantes, no Central Park, pelo jovem Michael O'Hara. Como forma de agradecimento, ela pede ao marido que procure O'Hara e o convide para trabalhar no luxuoso iate da família. Embora relute em princípio, o jovem termina aceitando o emprego, não pelo dinheiro, mas para ficar próximo de Elsa, por quem se sente fortemente atraído.
O iate dos Bannisters parte de New York, em direção à São Francisco, via Canal do Panamá. Ao grupo, junta-se George Grisby, sócio de Arthur. Durante a viagem, este vê quando Elsa beija o jovem O'Hara.
Numa das paradas, na costa do México, Elsa conta a O'Hara ter descoberto que Sidney Broome não é o comissário pelo qual se faz passar, mas um detetive pago por Arthur para seguir todos os seus passos, pois o marido não lhe quer dar o divórcio.
A viagem continua tensa, com George soltando suas indiretas. Depois de uma parada em Acapulco, o iate finalmente chega à Baía de São Francisco. Ao tomar seu carro com o marido, Elsa passa um recado para O'Hara, através de seu motorista, dizendo que quer se encontrar com ele no Aquarium. Enquanto isso, George oferece US$ 5 mil a O'Hara para que este assine uma confissão de que o assassinou. Ele diz pretender recomeçar sua vida numa pequena ilha do Pacífico e que as leis da Califórnia não farão nada contra o jovem porque, mesmo que confesse o 'crime', só poderá ser punido se as autoridades encontrarem o cadáver.
Como combinado, O'Hara encontra-se com Elsa no Aquarium, oportunidade em que ela lhe pede para que os dois fujam juntos. Ele lhe mostra a confissão de culpa que assinara sobre a 'pseudo' morte de George, ao que ela lhe diz que ele deve ter caído numa armadilha e que, provavelmente, seu marido deve estar por trás de tudo aquilo.
Enquanto isso, Broome procura George, a quem pede uma boa quantia em troca de seu silêncio. Segundo ele, George pensa em matar Arthur, pegar seu dinheiro, fugir com Elsa e incriminar O'Hara. George puxa um revólver e atira em Broome. Em seguida, apanha O'Hara e, juntos, seguem até a baía de Sausalito, onde desaparece numa pequena lancha, enquanto o jovem dá uns tiros pro ar.
O'Hara liga para a casa de Elsa. Broome, gravemente ferido, atende ao telefone e lhe avisa que ele acabou de cair numa cilada, pois George deve ter ido matar Arthur. Preocupado, O'Hara vai até a casa de Elsa avisar Arthur sobre os planos de seu sócio. Para sua surpresa e desespero, ao chegar lá, encontra Arthur ótimo enquanto a polícia retira o cadáver de George.
Preso e indiciado, O'Hara vai a julgamento, tendo Arthur como seu advogado. Durante o júri, o criminalista confessa-lhe que, pela primeira vez em sua carreira, vai perder uma causa, pois pretende visitá-lo várias vezes no corredor da morte. Fingindo ter tomado uma overdose de drogas, O'Hara é retirado do local, oportunidade em que consegue fugir e se refugiar numa sala de espetáculos do bairro Chinês. Elsa o segue e o encontra. Quando ela se senta a seu lado, O'Hara descobre que Elsa acha-se armada e conclui ser ela a verdadeira assassina de George. Li e dois outros amigos dela chegam e levam O'Hara para a Sala dos Espelhos.
Elsa vai até lá e conta que George deveria ter assassinado Arthur mas, ao cometer o erro de atirar em Broome, fez com que ela o matasse. Logo depois, Arthur chega à Sala dos Espelhos e diz à Elsa que ela pensa que se matá-lo ali, O'Hara levará a culpa e ela ficará livre para gastar toda a sua fortuna. Já prevendo isso, continua, deixou uma carta com o promotor contando todo o seu plano. Segue-se uma troca de tiros, com espelhos quebrando-se por todos os lados e, ao final, Arthur e Elsa acham-se mortalmente feridos. O'Hara sai à procura da polícia, agora tranqüilo, pois a carta deixada por Arthur, com o promotor, o inocentará da morte de George.
Adaptado de um livro de Sherwood King, "A Dama de Shanghai" é um excelente filme. Inovador e criativo, Orson Welles não só o dirigiu, mas também o escreveu, o produziu e interpretou o papel principal masculino.
A trama é muito bem construída, embora exija uma maior atenção, por parte do espectador, a fim de não se perder durante o seu desenvolvimento. Os diálogos inteligentes merecem atenção. A direção de Welles é perfeita, cuidadosa, com o uso correto da câmera e closes das expressões faciais nos momentos certos. Um dos melhores momentos ocorre basicamente no final, na Sala dos Espelhos de uma casa de diversão, com uma fantástica atuação de Rita Hayworth. Um outro momento, pelo menos inusitado, se dá em pleno tribunal, durante o julgamento de O'Hara, quando o advogado de defesa é convocado como testemunha pelo promotor. Assim, depois de responder às perguntas formuladas pelo promotor, na qualidade de advogado de defesa, ele passa a fazer perguntas a si próprio (testemunha).
A fotografia em preto-e-branco, de Charles Lawton Jr., é um outro ponto alto do filme. No elenco, destacam-se os trabalhos de Rita Hayworth, Everett Sloane, Orson Welles e Glenn Anders. Errol Flynn aparece ligeiramente como um 'cameo'.