
VIOLÊNCIA E PAIXÃO (1974)
Gruppo di famiglia in un interno
| Outros Títulos: | Violence et passion (França) Conversation piece (USA) Confidencias (Espanha) |
| Pais: | Itália, França |
| Gênero: | Drama |
| Direção: | Luchino Visconti |
| Roteiro: | Luchino Visconti, Enrico Medioli, Suso Cecchi d'Amico |
| Produção: | Giovanni Bertolucci |
| Design Produção: | Mario Garbuglia |
| Música Original: | Franco Mannino |
| Fotografia: | Pasqualino De Santis |
| Edição: | Ruggero Mastroianni |
| Guarda-Roupa: | Piero Tosi, Maria Fanetti, Giuseppina Delli Carpini |
| Maquiagem: | Alberto de Rossi, Eligio Trani |
| Efeitos Sonoros: | Claudio Maielli, Decio Trani |
| Efeitos Especiais: | Eros Bacciucchi, Giovanni Bacciucchi |
| Nota: | 8.3 |
| Filme Assistido em: | 1976 |
| Burt Lancaster | O Professor |
| Silvana Mangano | Marquesa Bianca Brumonti |
| Helmut Berger | Konrad Huebel |
| Claudia Cardinale | Mulher do Professor |
| Dominique Sanda | Mãe do Professor |
| Romolo Valli | Advogado do Professor |
| Stefano Patrizi | Stefano |
| Jean-Pierre Zola | Blanchard, comerciante de arte |
| Claudia Marsani | Lietta Brumonti |
| Elvira Cortese | Erminia, governanta do Professor |
| Guy Tréjan | Comerciante de arte |
| Enzo Fiermonte | Comissário de Polícia |
Academia Japonesa de Cinema, Japão
Prêmio de Melhor Filme em Língua Estrangeira
Prêmios David di Donatello, Itália
David de Melhor Filme
David de Melhor Ator Estrangeiro (Burt Lancaster)
Sindicato dos Jornalistas Críticos de Cinema, Itália
Prêmio Fita de Prata de Melhor Diretor de Filme Italiano (Luchino Visconti)
Prêmio Fita de Prata de Melhor Fotografia
Prêmio Fita de Prata de Melhor Produção
Prêmio Fita de Prata de Melhor Design de Produção
Prêmio Fita de Prata de Melhor Revelação Feminina (Claudia Marsani)
Festival Internacional de Valladolid, Espanha
Prêmio Espiga de Ouro (Luchino Visconti)
Roma, anos 70 - Um professor aposentado, de origem americana, leva uma vida solitária, em seu luxuoso palazzo, cercado de livros e de muitos quadros de pintores famosos. Certo dia, ao receber dois representantes da Galérie Blanchard de Paris, com eles entra também uma desconhecida senhora. Os representantes da Blanchard tentam-lhe vender um novo quadro que, segundo eles, teria sido adquirido na Sotheby's de Londres por £ 3000. Depois de examiná-lo cuidadosamente, o professor fica encantado com o mesmo, mas não está disposto a pagar o preço pedido.
Enquanto ele examinava a tela, a desconhecida senhora caminhava por alguns cômodos do palazzo. Quando o pessoal da Blanchard sai, ela se apresenta como sendo a Marquesa Bianca Brumonti, interessada em alugar um apartamento do palazzo que se acha vazio, segundo lhe informaram o porteiro e a governanta. Delicadamente, o professor lhe diz que o tal apartamento não se acha disponível para aluguel. A insistência da marquesa é tamanha que faz com que, mesmo a contragosto, ele peça as chaves à Erminia, sua governanta, para mostrar o imóvel à insistente senhora. Nesse instante, entram no recinto Lietta, filha da marquesa, acompanhada de seu namorado, Stefano, um rapaz envolvido com o marxismo. Mãe e filha pressionam cada vez mais o professor, no sentido dele alugar o imóvel. Como se não bastassem os três desconhecidos a tirar-lhe o sossego, chega também Konrad Huebel, amante da marquesa, treze anos mais novo que ela. A despeito da resistência oferecida pelo gentil professor, este termina sendo envolvido pela marquesa e seu grupo.
Quando os quatro se instalam no tal apartamento, eles transformam a monótona vida do professor num verdadeiro inferno. Para começar, adulteram o contrato assinado por ele, dando-lhes o direito de fazerem as reformas que bem entenderem, inclusive demolindo e construindo paredes.
A cada dia que passa, novas descobertas vão sendo feitas pelo professor. Na ausência da marquesa, ele apanha Lietta, Konrad e Stefano, todos nus, a fazerem sexo grupal, enquanto se drogam. Em outro dia, encontra Konrad sangrando, após ter sido duramente agredido por um grupo de traficantes. Pacientemente, ele cuida do jovem rebelde.
A despeito de todos os problemas que esses quatro seres, desprovidos de qualquer tipo de moral, lhe trazem, com o passar do tempo o professor vai-se afeiçoando a eles, como se tratassem de pessoas problemáticas de sua própria família.
"Violência e Paixão" é mais uma excelente obra do renomado cineasta italiano, Luchino Visconti. Neste filme, o penúltimo de sua bem-sucedida carreira, além de temas como, por exemplo, o conflito de gerações ou suas conhecidas críticas ao sistema político vigente na época e às frivolidades da aristocracia italiana, ele se debruça mais sobre a solidão, aqui encarnada pelo personagem vivido por Burt Lancaster.
Assim, ao longo de sua projeção, o espectador vai acompanhando o velho e solitário professor, mesmo fortemente incomodado por um grupo de pessoas totalmente diferentes dele, a se afeiçoar a cada uma delas, como se as mesmas fizessem parte de uma família que não conseguira formar ao longo de sua vida.
São notórios a bissexualidade de Visconti e o relacionamento por ele mantido com o ator austríaco, Helmut Berger, desde que este estreou no cinema, em 1964, até a morte do cineasta, em 1976. Em "Violência e Paixão", o professor, ao encontrar Konrad, personagem vivido por Berger, sangrando, o trata com um carinho de pai mas, ao mesmo tempo, demonstra um certo amor platônico pelo jovem.
Neste filme, totalmente ambientado em uma mansão, além do magnífico trabalho de Visconti, merecem ser destacadas a belíssima trilha sonora e as atuações de alguns de seus principais atores. Burt Lancaster, no papel do velho professor, apresenta um trabalho digno de um Oscar. Silvana Mangano, Helmut Berger e a estreante no cinema, Claudia Marsani, aos 15 anos de idade, também nos brindam com ótimas interpretações.